Mise à niveau vers Pro

*ATAQUE & DEFESA ASTRAL*

. : #Heren Fey : .
*Capítulo III - De Oculo Invidioso*
_Do Olho Gordo, da Inveja Fluídica e da Couraça de Marte_
"O olho do invejoso é mais venenoso que a língua da víbora, pois envenena sem tocar."
"Todo pensamento carregado de afeto é uma força que se condensa e projeta."
Preâmbulo - A Terceira Chave
Até aqui tratamos do Ataque Direto, nascido da Vontade, e do Medo como porta de entrada. Agora tratamos do ataque mais comum, mais cotidiano e por isso mesmo mais perigoso: o ataque que não se declara, que não traça círculo, que não invoca nome algum, mas que age. É o que o povo chama de Olho Gordo, e que a Ciência Hermética chama de Projeção Involuntária do Fluido Magnético desequilibrado.
Se os capítulos anteriores eram do Mago, este é do Profano que, sem saber, pratica magia.
I. Da Bolha e do Muro - A Gênese da Inveja
Desde a infância, ensinam-nos a polir a máscara. Devemos nos vestir bem, falar bem, comer bem, comportar-nos bem. E a medida de todo esse "bem" não é a nossa consciência, mas o olhar do outro: "o que os outros vão pensar?".
Este medo do julgamento alheio forma, ao redor da criança, um muro. É uma bolha astral. Dentro dela, estamos seguros, aprovados. É o nosso primeiro campo áurico artificial. Enquanto somos infantes, ele nos protege.
O ato de maturidade, o verdadeiro nascimento do Adepto, é furar esta bolha. Como tratei em meu ensaio sobre o Ego, é preciso romper o muro e descobrir que o mundo lá fora não morre se não nos aprovar. Quem não fura a bolha, torna-se escravo do olhar externo para sempre.
Mas eis o mistério: quando a vida adulta chega e a bolha, teoricamente, deveria estar rompida, para a maioria ela não está. Ela apenas se inverte. O que era antes necessidade de ser aceito torna-se obsessão por ser superior. O homem que antes temia "o que vão pensar de mim se eu não tiver?" passa a se enraivecer com "por que ele tem e eu não tenho?".
Esta inversão é a raiz do Olho Gordo. Não é mais medo, é Ira e Frustração. É o elemento Fogo desequilibrado devorando a Água do equilíbrio. A vontade mesquinha, não suprida, fermenta no fígado astral do invejoso e se torna veneno.
II. Da Anatomia do Olho Gordo - O Fluido da Inveja
O Olho Gordo não é superstição. Na linguagem de Bardon, é um fenômeno de condensação fluídica perfeitamente explicável.
Quando um homem cobiça com intensidade o bem de outro - seja um título de advogado enquanto ele mesmo reprova na OAB, seja o carro do ano do vizinho enquanto ele economiza há anos sem sucesso - ele comete o ato mágico da fixação.
Ele olha para o objeto, mas sua imaginação não vê o objeto; vê a si mesmo possuindo o objeto. E ao fazer isso, ele carrega seu fluido magnético com o desejo ardente, ácido, da cobiça. Seu olhar torna-se um dardo.
Na Tradição, distinguimos três graus:
*1. O Olho Mental:* O mais fraco. O invejoso pensa, rumina, mas seu fluido é fraco, sem densidade. Se o alvo possui uma aura coesa ou proteções naturais, nada acontece. O dardo se dissolve no Akasha antes de chegar. É a inveja do fraco.
*2. O Olho Fluídico:* Aqui a inveja já se tornou hábito. O invejoso não apenas pensa, ele se remói. Seu plexo solar trabalha dia e noite, condensando o fluido. O alvo começa a sentir os sintomas: a beleza que murcha sem razão médica, a saúde que vacila, o carro do ano que começa a dar defeitos inexplicáveis, o Rolex que atrasa, a casa onde as coisas quebram, as roupas de marca que mancham. O ataque não quebra o objeto em si, mas perturba o duplo fluídico que sustenta aquele objeto na esfera do alvo. É a ferrugem astral.
*3. O Olho Ativo e Antiético:* Este é o grau onde o Olho Gordo deixa de ser involuntário e se torna Magia Negra vulgar. O invejoso não apenas deseja, ele age. Burlando a lei para pegar o caso do colega advogado, sabotando o vizinho, caluniando, realizando pequenos trabalhos de ódio. Aqui há Intenção + Ato. É a condensação máxima. E neste caso, a lei hermética obriga o alvo a levantar proteções ativas, pois a passividade seria conivência com o desequilíbrio.
Compreendei, portanto: o Olho Gordo sempre afeta aquilo que o outro não tem e que o invejoso crê que deveria ter. Ele mira nos símbolos de Marte e de Vênus: poder, beleza, família, propriedade.
III. Da Defesa Marcial - A Couraça que não se Inveja
Como se defender de uma força que não se declara?
O profano compra patuás. O sábio torna-se invulnerável. Há duas defesas, como ensinamos no capítulo anterior.
A primeira é a defesa por natureza: o homem ou mulher cujo laboratório interior está em equilíbrio, que conquistou seus bens pelo trabalho justo e que não ostenta por vaidade, mas desfruta com gratidão, cria naturalmente um fluido de proteção. Sua aura não provoca a inveja, pois não vibra na mesma oitava da ostentação. É a proteção dos puros.
A segunda é a defesa por Arte, a Couraça de Marte. Pois todo fluido de inveja, sendo magnético e lunar em sua natureza, deve ser cortado e queimado pelo ferro e pelo fogo de Marte.
Na Alta Magia, não combatemos a inveja com mais inveja, mas com o estabelecimento de uma Vontade Reta, fria e cortante, que declara ao Astral: "Este espaço é meu, consagrado, e nele só entra o que eu permito".
O antigo método dos magistas para fixar esta vontade era condensá-la em um Corpo. Tomava-se um mineral de natureza marcial - o Ferro, a pedra vermelha ou a pedra negra que absorve a luz - e nele se gravava, não um desenho qualquer, mas a síntese da própria vontade de proteção. Este selo, impregnado pelo sopro, pela fumaça do incenso consagrado à purificação como a Mirra, e oferecido à Força Maior à qual o magista é devoto, tornava-se um condensador fluídico. Um acumulador do elemento Fogo.
Colocado no limiar - na janela, na porta, no ponto onde o olhar do mundo exterior penetra a casa - ele age como uma espada invisível. Ele não devolve o mal, ele o dissolve, queimando o fluido ácido da cobiça antes que ele toque a aura da casa, do carro, da beleza, da família.
Não é o objeto que protege. É a Vontade que o objeto guarda.
E aqui reside o julgamento final: se achas que estabelecer tua soberania sobre teu próprio espaço é "muito trabalho", então permanece no rebanho daqueles que vivem de janela aberta, à mercê de todo olhar faminto. O laboratório exige disciplina.
Lembrai-vos da máxima que encerra todos os capítulos:
Todo homem e toda mulher é um laboratório. O invejoso é um alquimista fracassado que tenta roubar o ouro alheio porque não soube transmutar seu próprio chumbo. O sábio guarda seu ouro sem ostentar e guarda seu chumbo sem se envergonhar, e por isso nenhum olho gordo pode tocá-lo.
_Fim do Capítulo III_
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