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ATAQUE & DEFESA ASTRAL 3

. :Heren Fey: .
*Capítulo VI - De Circulo Lapidum*
_Do Círculo de Pedras e da Consagração sob a Regência Maior_
> "A pedra é a paciência da Terra. Quando o mago a consagra, ele transforma paciência em muralha." - Eliphas Levi
> "Um fluido condensado em matéria permanece ativo por anos." - Franz Bardon
Preâmbulo - O Sexto Selo
Nos capítulos anteriores tratamos da teoria do ataque. Vimos o olho que seca, a demanda que busca direito, o vampiro que suga. Agora, no sexto selo, não há mais teoria. Há prática. É aqui que o laboratório deixa de ser apenas o homem e torna-se também o espaço onde ele habita.
O ritual que ora descrevo, o Círculo de Pedras, não é invenção nova, mas recordação. É a forma mais antiga de magia de fronteira: marcar o território com pedras vivas, para que a força que as habita diga ao invisível: até aqui, e não além.
I. Da Preparação do Vaso - Os Três Dias
Nenhum ritual começa no dia do ritual. Todo ritual começa no homem que o fará. Um vaso sujo corrompe a água mais pura.
Por isso, aquele que desejar erguer o Círculo escolherá a Terça-Feira, dia de Marte, Senhor da Espada, do ferro, da guerra que protege, do exorcismo e da coragem que vence o medo.
E se preparará três dias antes. Não por superstição, mas por condensação.
Durante três manhãs, banhar-se-á com os três bálsamos: alecrim, para combater a exaustão e reavivar o fogo central; sálvia, a erva de Júpiter, para afastar a larva e o mau pensamento; e lavanda, a flor de Mercúrio e Vênus, para selar a aura com paz e proteção.
Nestes três dias, decora-se não apenas com a mente, mas com o corpo. Decora-se as conjurações, para que no momento não se leia, mas se vibre. Decora-se as posições corporais, treina-se o Pranayama, o ritmo quádruplo, a asana firme, o mantra e a visualização. Decora-se as virtudes dos seres elementais, seus pontos cardeais e seus selos alquímicos que serão gravados em suas representações físicas. Decora-se a evocação da Força Maior que regerá o ato, seu símbolo e sua representação que repousará no altar.
Bardon ensina: a memória mágica é a base da imaginação mágica. O ritual só é poderoso quando o mago não precisa mais pensar nele.
II. Da Abertura do Círculo e das Quatro Torres
No dia, faze o alinhamento energético. Senta-te e inspira rápido e expira devagar trinta vezes, visualizando teu campo áurico não em branco, mas em vermelho vivo, a cor de Marte, a cor do sangue que defende. Evoca em ti não a calma, mas as emoções correspondentes à obra: coragem, força, hombridade, equilíbrio, foco e poder. O ritual de Marte não é feito por quem teme.
De pé, aponta o dedo indicador, teu Athame natural, e gira no sentido horário, traçando no astral o círculo mágico. Sente-o como um anel de fogo que desce do teu dedo.
Agora, ergue as quatro torres que complementarão e reforçarão este círculo.
Posiciona os materiais das quatro forças, cada qual em seu ponto cardeal, e grava sobre cada representação física seu símbolo alquímico:
Ao Norte, a Terra. Terra preta de cemitério consagrado não, mas terra viva de jardim, ou uma pedra qualquer, sem restrições. Ela é o que faz sólido, estável, o que promove a cura e a fixação.
Ao Sul, o Fogo. Uma vela acesa, sem restrição de cor, mas que seja vermelha ou laranja se quiseres honrar o dia. Sua chama é o próprio ser do fogo.
Ao Leste, o Ar. Uma pena de pássaro que voa alto, ou um incenso que sobe em espiral. O sutil representando o sutil, aquilo que move a atmosfera e os pensamentos.
Ao Oeste, a Água. Um cálice com água pura, a representação fluídica que dá forma e que rege nossas emoções.
III. Da Evocação - Chamando os Habitantes
Com as quatro torres postas, evoca. Não leias. Vibra, voltado para cada ponto, visualizando o selo alquímico brilhando.
Voltado ao Norte, dize:
_Eu evoco os seres da Terra, que tudo fazem sólido, estável e que promovem a cura nesta realidade. Estejam presentes neste círculo._
Voltado ao Sul, dize:
_Eu evoco os seres do Fogo, que trazem a força ígnea da vida, que transformam nossa realidade. Estejam presentes neste círculo._
Voltado ao Leste, dize:
_Eu evoco os seres do Ar, que tudo movem sutilmente, em nossa atmosfera e em nossos pensamentos. Estejam presentes neste círculo._
Voltado ao Oeste, dize:
_Eu evoco os seres da Água, que tudo trazem forma, regendo nossas emoções. Estejam presentes neste círculo._
Sente a presença. O ar muda de densidade.
IV. Da Força Maior - Hekate e Marte
Volta-te agora para o Altar. É ali que reside a Força que dará lei a todo o rito.
Em meu próprio altar, tenho uma ametista central, cercada por penas de coruja, a qual devotei à Grande Senhora Hekate. Se este é também teu caminho, estende as mãos com a palma virada para cima, gesto de recepção e oferenda, e dize:
_Salve Grande Deusa Hekate, dona das portas e dos caminhos._
_Deusa da magia e dos encantamentos._
_Donzela, Mãe e Anciã._
_Deusa do Submundo, manifestai vosso poder através de minhas mãos para que se cumpra este ritual._
Se não és devoto de nenhuma forma divina específica, não evocarás o vazio. Evocarás a Força Planetária de Marte, o Regente natural deste círculo, em sua forma pura.
As correspondências de Marte são: Dia, Terça-Feira; Cores, vermelho e laranja; Virtudes, guerra justa, vencer inimigos, ataque e defesa, exorcismo, causar temor nos larvais e adquirir coragem no coração do mago; Elementos físicos: Ferro, Lava Vulcânica, Opala de Fogo, Turmalina Negra, Hematita, Obsidiana Negra, Cornalina, Argila Vermelha.
A Invocação de Marte, cuja fonte remonta à Hygromanteia, o verdadeiro ancestral da Clavícula de Salomão, deve ser dita com a autoridade de quem não pede, mas comunga:
_Deus temível, Deus indescritível, Deus invisível, a quem ninguém dentre os homens já viu ou pode ver, a quem os abismos viram e tremeram, e os animais foram mortos. Demonstra-nos tua graça, para que possamos sujeitar o planeta Marte. Eu te conjuro, Marte abrasador, pelo deus que criara as essências sensíveis e todo o exército de fogo; eu te conjuro pelas tuas forças e teu curso, e pelo teu brilho e por estes nomes, Outat, Nouēt, Chorēzē, Tiniaē, Dachli, Ampira, Noliem, Siat, Adichaēl, Tzanas, Plēsym, para que tu me dês tua graça por conta deste serviço._
V. Da Consagração das Pedras - Selando a Terra
Toma em tuas mãos a quantidade de pedras e cristais correspondentes à proteção, suficientes para rodear o local onde moras.
Apresenta estes objetos a cada uma das quatro forças, passando pela presença de cada torre. Deixa que o frio da Terra, o calor do Fogo, o sopro do Ar e a umidade da Água os toquem no astral.
Apresenta-os, por fim, à Divindade no Altar. Declara em voz clara, audível e sem tremor, o propósito: _Vós sereis a muralha, vós sereis os sentinelas de pedra sob a regência de minha Deusa._
Neste momento se dá a consagração. Não é bênção, é potencialização. Tu estás unindo a virtude natural que a pedra já tem, condensada por milênios na terra, com a virtude infinita de tua divindade.
Fecha o ritual despedindo-te das forças da maior para a menor. Primeiro a Divindade, depois Fogo, Água, Ar e Terra. Fecha o círculo girando anti-horário. Come e bebe, para trazer-te de volta.
Sai e distribui as pedras e cristais ao redor do local onde moras. Podes afundá-las na terra, nos quatro cantos e nas portas. Se não for possível, apenas distribui, tocando o solo. Enquanto o fazes, entoa canções de proteção. Teu canto é o cimento que fixa a pedra no astral.
Lembra-te: mesmo que as pedras físicas se percam, sejam chutadas, levadas pela chuva, o teu esforço no ato mágico, simbolizando a proteção sob a regência de tua divindade, já está firmado no local. O que foi selado no astral permanece. O círculo de pedras não protege a casa; ele transforma a casa em templo.
Que as portas se abram apenas para quem traz luz.
Todo homem e mulher é um laboratório.
_Fim do Capítulo VI_

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